domingo, 4 de julho de 2010

Quando o Destino Ipõe



Acordei desastrada e confusa, como todos os dias, e deparei-me com a minha imagem no espelho da parede ao lado, me senti viva e aproximei-me mais, vi meus olhos brilhantes de esperança, senti meu cabelo obedecendo-me, minha boca delicada e imóvel. Segui meu caminho.

Não era um dia comum, era um dia especial, mas eu desconhecia a sua particularidade. Vi em todos que cruzavam meu caminho a curiosidade, a felicidade, angustia, tensão, decifrei em cada rosto o que se passava. Talvez eu estivesse apenas mais atenta. Atravessei a rua e pela minha distração esbarrei em uma senhora que, olhou-me, assustada, mas logo sua expressão foi substituída por pena e ela alertou: “Tome cuidado! Tome cuidado!”, fiquei opinando em minha cabeça o quanto aquela senhora deveria estar transtornada para ter essa reação com um simples esbarrão.

Prossegui ainda atenta ao comportamento das pessoas e pensativa quanto a minha mudança de comportamento e encontrei uma cigana, bom... Entrei em pânico, morro de medo de ciganos, acho que por minha mãe sempre me intimidar, quando eu era pequena, com histórias de ciganos malvados, sei que não são todos assim, mas tenho medo. Passei por ela quase que, encostando-me nas vitrines das lojas para que não me percebesse, mas não teve saída, ela estava vindo até mim. Senti minhas pernas tremerem e minhas mãos suarem, senti o desespero tomar conta e mim.

-MENINA! Tenho uma revelação a te fazer. ”gritou-me”
Minha mãe sempre diz que elas usam essa desculpa para poder afanar algo, e eu, pensando nisso não parei.
-VITÓRIA! É importante.

“COMO ELA SABE O MEU NOME?” fiquei ainda mais tensa e acelerei meus passos, imaginei que ela poderia já estar me espionando a tempos a mando de algum seqüestrador ou algo de gênero. Cheguei finalmente em meu destino, uma loja de esmaltes com coleções completas de todas as marcas, um sonho. Minha mãe havia me questionado irritada, para quê a necessidade de ir numa loja de esmaltes às nove horas da manhã num dia de férias em que a maioria dos adolescentes estaria dormindo... Eu não soube contra-argumentar, mas queria ir, queria mudar a rotina.

E mais calma com o episódio da cigana, pensei em depois de comprar os esmaltes ligar para minha mãe para pedir que ela me busque. Escolhendo as cores vi um lindo garoto entrar na loja vizinha, depois de pagar a conta quando dei de costas para o caixa ele estava perto de mim, muito perto.

-Oi... Você já vai? “perguntou desastradamente”
-Sim...
-Mora aqui por perto?
-Sim...
-Posso te levar em casa? Não tenho carro, mas podemos ir andando mesmo, se quiser...
Pensei nos meus planos de ligar para minha mãe me buscar, mas pensei também em dar uma chance para aquele garoto e foi o que fiz (indo por um caminho diferente do da cigana, claro)
-Sim...
Ele sorriu e disse: ”Você fala algo mais?”. Sorri encabulada sentindo o rubor em minha face e disse: “Sim...”

Fomos caminhando e conversando, seu nome é Flávio e ele também mora aqui por perto, cursa Direito na Universidade da cidade, adora as mesmas músicas que eu, seu melhor programa é assistir filme com brigadeiro no frio e teve sua última namorada há dois anos.

Ele sugeriu, quando nos aproximávamos da minha casa, sentarmos numa praçinha ali por perto e eu assenti. Senti como se o conhecesse totalmente, sentia-o como um amigo, ou talvez um namorado. E entre conversas e risos senti o ar quente que partia dele se aproximando lentamente de mim, senti e cedi. Fui beijada carinhosamente, um beijo familiar, um beijo confortante. Olhou-me com carinho, seu olhar era doce, tranquilo e profundo, olhar o qual fixei os meus sem lembrar-me de disfarçar e ele sorriu, seu sorriso era perfeito, dentes alinhados e expressão leve de prepotência. Imaginei que estivesse rindo da minha expressão estática diante da sua beleza e novamente enrubesci, ele então cruzou seus braços em torno da minha cintura num abraço que fez eu me sentir pequena. Ficamos ali por mais um tempo e quando resolvemos partir ele segurou minha mão olhando-me para ver a minha reação, mas eu nada fiz, e então caminhamos.

Será que existe amor a primeira vista? Será que o que eu sinto agora é amor? Será que não é apenas uma empolgação passageira? Aquele garoto parecia tão meu... Seu sorriso era tão encantador... Suas mãos são tão suaves...

Acordei dos meus questionamentos com o susto. Ouvi um tombo muito forte, como uma explosão, pessoas gritando, um som ensurdecedor de ambulância, deve ter acontecido algum acidente. Devo ter tido alguma vertigem por conta do susto, pois não consigo enxergar nada, mas ouço as vozes dos enfermeiros alertando que uma das vítimas ainda respira, apertei a mão do Flávio, mas não mais a senti, agonizei. Onde ele estava? O quê aconteceu? Percebi neste momento que não era vertigem nenhuma, meus olhos estavam cerrados e os abri, vi pessoas a minha volta, e enfermeiros me imobilizando.

-Ela abriu os alhos- Gritou um deles.
-E o rapaz?

Não houve resposta, apenas uma sutil balançada com a cabeça. Senti cada músculo do meu corpo relaxar, esfalecer... Na minha cabeça se passava repetidas vezes o balançar da cabeça do enfermeiro, senti uma brisa em meus cabelos, uma luz se aproximar, era o meu fim.

Depois de abandonado o corpo, refleti sobre os fatos e em como o destino nos coordena. Desde a minha insana vontade de comprar esmaltes, ao olhar penoso da senhora que esbarrei, a minha fuga da cigana, pois ela talvez pudesse interferir em algo e o encontro com o meu primeiro e último amor, que agora percebo com clareza a imensidão daquele sentimento. Abandonamos aquela vida juntos, o nosso destino era esse, e agora sinto que ainda não acabou, sinto que o nosso amor vai além da vida... Uma mão segurou a minha, era ele, nos olhamos com um ar de alívio por estarmos juntos, uma possível felicidade entende? E então caminhamos para onde àquele túnel luminoso nos levava. Juntos, até... Sempre!


Por: Carla Maria de Oliveira Ferreira

6 comentários:

Stéfani ♥ disse...

Legal o texto ~ amei ~
Beijos
http://nuvem-de-amor.blogspot.com

.Duda. disse...

que texto perfeitooo!
amei ..eu naum conseguia parar de ler rsr ><
parabens! *-*

Alinne disse...

o que dizer, esta lindo, perfeito!
nossa ameei, serio ^^
parabens
Beeijo

http://bloguepeek.blogspot.com/

Thamires Viel disse...

Muito bom o texto, estou seguindo e linkando no meu para ler sempre e divulgar *-*

Vanessa Ribeiro disse...

Eu realmente amei seus posts, e me encontrei em cada um deles. Como se fossem minhas palavras, porém, palavras que não saem por um texto a fora, apenas na minha cabeça. Continue assim, você escreve muito bem. Parabéns, estarei seguindo e acompanhando. Beijos

Indy Oliveira* disse...

Miga,muito fofo...Muito obrigada pelo selinho,já postei lá...
bjinhO