sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Auto Controle


Meus olhos não queriam, mas te buscaram em meio a multidão, depois de tanto tempo fingindo para mim mesma ter te esquecido, eu me trai. Quando os meus olhos pararam em você lembrei do meu desespero ao descobrir as suas farças, lembrei das suas palavras doces e inflexíveis, lembrei que passei a não gostar das pessoas que te faziam sofrer... Quando os meus olhos de seguiram, gritei para que voltassem, mas eles não me obedeceram. Eles caminharam junto a ti até você desaparecer e sozinhos choraram a saudade, choram escondidos atrás da porta do quarto, onde ninguém pudesse vê-los. Ordenei que parassem de chorar, os convensi que não adiantava chorar, que ele não viria consolá-los. Ordenei que voltassem a fingir para se mesmos que não queriam vê-lo mais. Exigi auto controle!


"Dá para morrer de saudades?"

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A caixa abandonada


Procurei você por onde imaginei, debaixo da cama, dentro do guarda-roupa, no meu estojo e dentro de todos os meus livros. Procurei até encontrar o meu diário antigo e me distrair lendo-o. Relembrei aqueles nossos dias insanos nossos momentos de brigas... E quando lembrei-me que precisava voltar a te procurar, já estava cansada. Chorei de saudade e desespero por não te achar, e adormeci ainda com lágrimas nos olhos. Sonhei com algo que fui incapaz de lembrar ao acordar e acordei com o som do ponteiro do seu relógio perto do meu ouvido, você estava sentado ao meu lado cuidadoso e carinhoso com a palma da sua mão atritando-se suavemente na minha face. "onde estava? Te procurei tanto..." disse-lhe ainda sonolenta. "Você me colocou naquela caixinha desbotada no fundo da última gaveta do seu guarda-roupa enquanto tinha aquele outro na prateleira, mas esqueceu onde eu estava quando queria me encontrar depois que o outro se foi" "E como conseguiu sair de lá" perguntei prontamente. "Empurrando com muito esforço, consegui deslocar a tampa da caixa e quando você estava me procurando dentro do guarda-roupa consegui escapulir da gaveta". Me senti envergonhada pelo que havia feito alienadamente e agora mais acordada sugeri quase numa súplica, "Você pode voltar para prateleira?". Você sorrio inocentemente, sem aparentar mágoa alguma de mim e tirou do bolso um tubo de cola estendendo-me. "Volto, mas acho melhor não corrermos mais riscos". Sorri ainda encabulada e o colei, para que não pudesse tirá-lo mais do destaque da minha estante.

domingo, 8 de agosto de 2010

Farsas reais.


Me estendeu a mão e eu a segurei com doçura. Era uma tarde ensolarada e nós estávamos felizes. Você me dizia palavras bonitas, mas um tanto precipitadas, e eu, com meu bobo coração, retribuía seus carinhos. Você demonstrou ser um belo cavalheiro, e eu representei uma princesa autoritária. Você gostou do meu jeito preservado, você gostou dos meus limites e eu fui fiel à eles.Senti seu desespero ao pensar em me perder, senti o meu frio na barriga ao pensar em te abandonar. Me senti sua desde o primeiro momento.

Me apaixonei pelo seu olhar ao me observar fazendo as mais banais das coisas. me apaixonei pela firmeza que segurou o meu braço quando te dei as costas, por aquele olhar desesperado com medo de me perder. Me apaixonei quando brigamos mas logo fizemos as pazes. Fui fiel à você, fui fiel à nós dois. construimos todo o nosso amor com verdades e cumplicidade. E o melhor de tudo isso é que apesar de todas as farsas,essa ansiedade para estar com você é talvez o único sentimento totalmente verdadeiro entre nós dois...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Não banais...


Tenho medo de fracassar... Tenho medo de errar outra vez, de estar novamente equivocada, de querer e não poder voltar o tempo. Tenho medo de perder as minhas cores e os meus fundamentos. Tenho medo de perder os meus medos não banais.

Um dia desses chorei de ansiedade desejando ter a minha independência, chorei num momento inapropriado, chorei de dúvida quanto ao assusto da minha tristeza. Ser aquariana me transporta a característica a qual mais se evidência em mim, o desejo pela liberdade independente. Talvez por isso eu tenha chorado, pelo medo do possível atraso dessa independência, pela revolta da minha própria cobrança a mim mesma.

Caminhei pensativa entre céus e superfícies, resisti em meio ao mar rosa de ansiedade e reneguei as algemas protetoras. Eu cresci e não sei bem o que fazer com isso, sei somente que quero voar com predestinações já conhecidas e destino jamais determinado. Quero derrotar os meus medos para dar espaço aos que virão daqui pra frente.