sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Lembranças

     Era uma manhã sem sombras, eu estava voltando das minhas aulas matinais, feliz pelo sol, que havia se precipitado. Ainda estávamos em meados de agosto, dia 14, se não me engano, e o sol já se mostrava desinibido e ponderoso.
     Eu estava voltando das minhas aulas, neste dia a pé, para diminuir a vida sedentária que a Universidade tinha me forçado a aderir. Encontrei uma praça velha, meio abandonada, com balanços enferrujados e bancos corroídos, durante a noite deveria ser concentração de prostitutas e usuários de drogas. Lembrei ou me imaginei brincando naquele balanço, eu deveria ter uns 5 anos e era balançada pela minha mãe, que me lembro pelas fotografias. Eu estava feliz, e usava uma tiara de laço na cabeça a qual me havia deixado muito vaidosa.
     Deveria ser imaginação, nunca havia me lembrado de nada que tivesse feito com meus pais. Eles sofreram o acidente quando ainda tinha 5 anos e nesta fase as crianças costumam não se recordar. Sentei em um dos bancos tentando imaginar outras cenas, mas todas pareciam falsas. Resolvi então ir para casa, minha avó já deveria ter aprontado o almoço e ela não gosta de atrasos nas refeições.
     Já em casa, sentada a mesa pensei duas vezes antes de mencionar a provável falsa lembrança que tive. Minha avó não se sentia confortável em falar comigo do acidente, os dos meus pais, sei que até hoje ela sofre muito, minha mãe era sua única filha. Pensei duas vezes, mas falei, e ela apenas sorriu levemente e voltou a comer. Desapontada pela falta de interesse dela, voltei a comer de cabeça baixa, se mencionar palavra alguma. Um pouco antes que eu terminasse a refeição, ela quebrou o silêncio.
     “Sua mãe adorava aquela praça, era onde se encontrava com seu pai às escondidas no início do namoro. Deve ter lhe levado várias vezes lá.” Quando terminou de falar já estava em pé recolhendo os pratos, eu a ajudei e depois fui para meu quarto. Abri a gaveta e peguei uma foto minha com 3 anos junto a meus pais, encarei a expressão da minha mãe, me dava paz. Guardei-a novamente na gaveta e agradeci a Deus, por ter me feito sentir por um minuto um momento que vivi ao lado da pessoa que mais me amou durante toda a vida. Agradeci sem o rancor que atravessei na minha adolescência, buscando culpados para a falta que senti. Agradeci apenas querendo lembranças, mais lembranças.

“Amem os seus pais, façam boas lembranças de estar junto a eles. Muitas vezes quando somos jovens temos a sensação que as proibições são todas para o nosso mal, mas haverá um dia que você valorizará tanto isso, que fará o mesmo com seus filhos.”     Carla Maria

3 comentários:

Luana Neiva disse...

Muito bom seu blog, super amei! Já estou seguindo viu? Passa no meu, você não vai se arrepender, acredite! Beijinho

Amanda Nogueira disse...

adorei o teu blog *--* , como sempre né .SHUSHA '
beijoooos , e abraços :B
http://restituisenhor.blogspot.com.br/

K!ariss@ Kuat disse...

Gentee , tu faz textos lindos! Você tem muito talento...rsrsrs (como eu queria ser assim , kk). Adorei seu blog e estou seguindo. Será que você poderia visitar o meu? Seria legal ter você por lá! Beijoos.

caissafazendoarte.blogspot.com